OLIVEIRA, Augusto Neftali Corte de. Dinâmica dos Mercadores de Canhões: atividade instrucional para sala de aula. Caderno de Conjuntura OAPoc, v. 5, n. 1, 2026.

Dinâmica dos Mercadores de Canhões: atividade instrucional para sala de aula

Autoria: Augusto Neftali Corte de Oliveira.

Resumo: A Dinâmica dos Mercadores de Canhões é uma atividade instrucional desenvolvida para o ensino introdutório de Relações Internacionais. A simulação coloca estudantes no papel de cidades-Estado que precisam conciliar interesses particulares e necessidades coletivas diante de uma ameaça externa comum. A mecânica permite trabalhar conceitos como soberania, Estado, sistema internacional, bens públicos, informação imperfeita, tragédia dos comuns, risco reputacional e cooperação internacional, combinando decisões estratégicas, negociação, distribuição de recursos, sobrevivência coletiva e competição política.

Palavras-chave: ensino de Relações Internacionais; simulação; jogos didáticos; soberania; sistema internacional; cooperação internacional; bens públicos; tragédia dos comuns; informação imperfeita.

Abstract: The Arms Merchants Dynamic is an instructional activity designed for introductory International Relations courses. The simulation places students in the role of city-states that must reconcile individual interests with collective needs while facing a common external threat. Its mechanics allow instructors to explore concepts such as sovereignty, the state, the international system, public goods, imperfect information, the tragedy of the commons, reputational risk, and international cooperation, combining strategic decision-making, negotiation, resource allocation, collective survival, and political competition.

Keywords: International Relations teaching; simulation; educational games; sovereignty; international system; international cooperation; public goods; tragedy of the commons; imperfect information.

Disponível em: https://oapoc.org/dinamicadoscanhoes/

A Dinâmica dos Mercadores de Canhões é uma atividade instrucional para sala de aula, desenvolvida para introdução aos conceitos de soberania, Estado e sistema internacional. Propõe-se que ela é útil para simulação de qualquer contexto no qual existe tensão ou contradição entre os objetivos particulares dos atores e os objetivos ou necessidades coletivas.

Como preparação prévia à realização da dinâmica, propõe-se que os estudantes pesquisem e que sejam discutidos em sala de aula os seguintes temas:

1) Bens públicos

2) Informação imperfeita

3) Tragédia dos comuns

4) Risco Reputacional

Após a realização da dinâmica, sugere-se que seja realizada uma discussão em sala de aula e/ou uma entrega referente à relação entre os referidos temas e a realização da dinâmica.

Na dinâmica, cada estudante ou grupo de estudantes representa uma cidade-estado. O contexto é vagamente inspirado nas Guerras Médicas (pode ser indicada a leitura da introdução do livro “História da Guerra do Peloponeso”, de Tucídides).

Os estudantes representariam o conjunto não centralizado de cidade-estados gregas, enfrentando o desafio de um inimigo externo poderoso (Pérsia). Ao mesmo tempo, as tensões entre as cidade-estados e a preocupação com o desfecho do conflito no equilíbrio de poder entre elas afeta as condições da colaboração efetiva contra o inimigo.

As regras da dinâmica são as seguintes:

  1. As cidades começam com 5 patacas cada uma e enfrentam 5 rounds de desafio. No round, cada cidade decide quantas patacas irá contribuir para enfrentar o inimigo. Idealmente, o valor da contribuição é secreto. Se o total arrecadado for suficiente, há vitória, e as cidades dividem igualmente o bônus de vitória.
  2. Se o total arrecadado for insuficiente, há derrota: uma cidade é eliminada por sorteio, suas patacas saem do jogo e o desafio seguinte se torna ainda mais difícil. Se todas as cidades forem eliminadas o jogo termina com vitória do inimigo.
  3. Se ao menos uma cidade sobreviver, ocorre a Eleição da Capital. Nessa fase, cada cidade terá um número de votos correspondente às patacas acumuladas, com garantia de ao menos 1 voto por cidade.
  4. Vence no primeiro turno quem alcançar 50% dos votos totais + 1. Caso contrário, haverá segundo turno entre as duas cidades mais votadas. Ao final, será revelada a cidade vencedora do jogo.

A mecânica do jogo está totalmente embutida no aplicativo. Algumas referências complementares:

  1. Cada cidade-estado pode escolher um nome e, ainda, desenhar uma bandeira. Essa etapa inicial é útil para estabelecer a coesão dos participantes em relação às demais cidade-estados.
  2. Sugere-se que as “patacas” sejam representadas por itens como cédulas ou que seja adotada uma folha de relatório por cidade, conforme o modelo abaixo. Esse material complementar é útil para organização do jogo.
  3. Uma vez que, idealmente, uma cidade não deve saber quanto as outras contribuíram, sugere-se que seja adotado um envelope por cidade para realizar a “contribuição” ou que a folha de relatório seja passada em sigilo para os organizadores, que lançam os valores no aplicativo sem mostrá-los aos estudantes (em caso de apresentação por projeção, por exemplo, pode-se congelar a imagem na tela de lançamento das contribuições e descongelar apenas na tela do resultado).
  4. A dificuldade cresce de round para round. Pode ser permitido aos estudantes realizarem reuniões, discussões, pronunciamentos, por exemplo, aumentando a possibilidade de interação entre as cidade-estados na medida em que a dinâmica torna-se mais difícil.
  5. Após uma cidade-estado ser eliminada, em caso de derrota, sugere-se que o ou os estudantes que fazem parte desta cidade sejam obrigados a “migrar” para alguma das cidades remanescentes.

O tema dos bens públicos está representado na segurança coletiva das cidade-estados, ou seja, no objetivo de vencer os inimigos recolhendo suficientes “patacas”.

O tema da informação imperfeita está presente na desconfiança, dos estudantes representantes de uma cidade-estado, na colaboração das demais para obtenção da vitória.

O tema da tragédia dos comuns está presente no fato que, do ponto de vista individual das cidade-estados, o conveniente é não contribuir ou contribuir pouco, no entanto, do ponto de vista coletivo, o conveniente vencer o inimigo. A tragédia dos comuns realiza-se em caso de derrota em um round, quando uma cidade-estado é eliminada do jogo.

O tema do risco reputacional está presente na fase de eleição, pois a cidade-estado que possui mais poder (mais votos) também é a que menos contribuiu para a vitória durante os rounds. Logo, poderá ter dificuldades em receber o apoio dos outros participantes.

Esta dinâmica foi desenvolvida pelo prof. Augusto Neftali Corte de Oliveira para emprego na disciplina Introdução às Relações Internacionais.

Referências

WIKIPEDIA. Public good (economics). In: Wikipedia, The Free Encyclopedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Public_good_(economics). Acesso em: 5 set. 2026.

WIKIPEDIA. Information asymmetry. In: Wikipedia, The Free Encyclopedia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Information_asymmetry. Acesso em: 5 set. 2026.

WIKIPÉDIA. Tragédia dos comuns. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_dos_comuns. Acesso em: 5 set. 2026.

WIKIPÉDIA. Risco reputacional. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Risco_reputacional. Acesso em: 5 set. 2026.

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