Dinâmica dos Mercadores de Canhões: atividade instrucional para sala de aula

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A Dinâmica dos Mercadores de Canhões é uma atividade instrucional para sala de aula, desenvolvida para introdução aos conceitos de soberania, Estado e sistema internacional. Propõe-se que ela é útil para simulação de qualquer contexto no qual existe tensão ou contradição entre os objetivos particulares dos atores e os objetivos ou necessidades coletivas.

Como preparação prévia à realização da dinâmica, propõe-se que os estudantes pesquisem e que sejam discutidos em sala de aula os seguintes temas:

1) Bens públicos

2) Informação imperfeita

3) Tragédia dos comuns

4) Risco Reputacional

Após a realização da dinâmica, sugere-se que seja realizada uma discussão em sala de aula e/ou uma entrega referente à relação entre os referidos temas e a realização da dinâmica.

Na dinâmica, cada estudante ou grupo de estudantes representa uma cidade-estado. O contexto é vagamente inspirado nas Guerras Médicas (pode ser indicada a leitura da introdução do livro “História da Guerra do Peloponeso”, de Tucídides).

Os estudantes representariam o conjunto não centralizado de cidade-estados gregas, enfrentando o desafio de um inimigo externo poderoso (Pérsia). Ao mesmo tempo, as tensões entre as cidade-estados e a preocupação com o desfecho do conflito no equilíbrio de poder entre elas afeta as condições da colaboração efetiva contra o inimigo.

As regras da dinâmica são as seguintes:

  1. As cidades começam com 5 patacas cada uma e enfrentam 5 rounds de desafio. No round, cada cidade decide quantas patacas irá contribuir para enfrentar o inimigo. Idealmente, o valor da contribuição é secreto. Se o total arrecadado for suficiente, há vitória, e as cidades dividem igualmente o bônus de vitória.
  2. Se o total arrecadado for insuficiente, há derrota: uma cidade é eliminada por sorteio, suas patacas saem do jogo e o desafio seguinte se torna ainda mais difícil. Se todas as cidades forem eliminadas o jogo termina com vitória do inimigo.
  3. Se ao menos uma cidade sobreviver, ocorre a Eleição da Capital. Nessa fase, cada cidade terá um número de votos correspondente às patacas acumuladas, com garantia de ao menos 1 voto por cidade.
  4. Vence no primeiro turno quem alcançar 50% dos votos totais + 1. Caso contrário, haverá segundo turno entre as duas cidades mais votadas. Ao final, será revelada a cidade vencedora do jogo.

A mecânica do jogo está totalmente embutida no aplicativo. Algumas referências complementares:

  1. Cada cidade-estado pode escolher um nome e, ainda, desenhar uma bandeira. Essa etapa inicial é útil para estabelecer a coesão dos participantes em relação às demais cidade-estados.
  2. Sugere-se que as “patacas” sejam representadas por itens como cédulas ou que seja adotada uma folha de relatório por cidade, conforme o modelo abaixo. Esse material complementar é útil para organização do jogo.
  3. Uma vez que, idealmente, uma cidade não deve saber quanto as outras contribuíram, sugere-se que seja adotado um envelope por cidade para realizar a “contribuição” ou que a folha de relatório seja passada em sigilo para os organizadores, que lançam os valores no aplicativo sem mostrá-los aos estudantes (em caso de apresentação por projeção, por exemplo, pode-se congelar a imagem na tela de lançamento das contribuições e descongelar apenas na tela do resultado).
  4. A dificuldade cresce de round para round. Pode ser permitido aos estudantes realizarem reuniões, discussões, pronunciamentos, por exemplo, aumentando a possibilidade de interação entre as cidade-estados na medida em que a dinâmica torna-se mais difícil.
  5. Após uma cidade-estado ser eliminada, em caso de derrota, sugere-se que o ou os estudantes que fazem parte desta cidade sejam obrigados a “migrar” para alguma das cidades remanescentes.

O tema dos bens públicos está representado na segurança coletiva das cidade-estados, ou seja, no objetivo de vencer os inimigos recolhendo suficientes “patacas”.

O tema da informação imperfeita está presente na desconfiança, dos estudantes representantes de uma cidade-estado, na colaboração das demais para obtenção da vitória.

O tema da tragédia dos comuns está presente no fato que, do ponto de vista individual das cidade-estados, o conveniente é não contribuir ou contribuir pouco, no entanto, do ponto de vista coletivo, o conveniente vencer o inimigo. A tragédia dos comuns realiza-se em caso de derrota em um round, quando uma cidade-estado é eliminada do jogo.

O tema do risco reputacional está presente na fase de eleição, pois a cidade-estado que possui mais poder (mais votos) também é a que menos contribuiu para a vitória durante os rounds. Logo, poderá ter dificuldades em receber o apoio dos outros participantes.

Esta dinâmica foi desenvolvida pelo prof. Augusto Neftali Corte de Oliveira para emprego na disciplina Introdução às Relações Internacionais.

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